Campineiros que vivem em Londres tiveram que mudar a rotina desde o fim de semana após os inúmeros atos de vandalismo na capital britânica. Os ataques começaram depois que um vigilante de 29 anos foi morto a tiros enquanto polícia tentava prendê-lo em Tottenham, no norte da cidade, na quinta-feira (4).
Apesar de viver na região de Wimblendon, distante do centro dos ataques, a jornalista Priscila Bellini foi orientada pela escola onde faz um curso de inglês a ficar em casa. As aulas foram suspensas na tarde desta terça-feira (9) e as lojas próximas à casa dela estão fechadas. Ela conta que muitas pessoas saíram mais cedo do trabalho e os trens estão atrasados. "Os londrinos não estão preparados para esses atos de vandalismo. Todo mundo está desesperado", relatou a jornalista.
O sub-gerente de uma casa de apostas, Danilo Bicego Telles, que também mora em Londres, enviou fotos e vídeo mostrando os estragos causados pelo ataque. A loja em que ele trabalha não foi invadida e fica a 200 metros de um local que ficou destruído em Clapham Junction.
RelatosNo meio do confronto que tomou as ruas de Londres desde o último sábado (6), a jornalista Cibele Porto viu da janela do apartamento de onde mora um mercado ser destruído nesta segunda-feira (8), em menos de 40 minutos, por um grupo formado por cerca de 300 pessoas, contou ao EPTV.com a brasileira por e-mail.
Cibele mora em Londres desde novembro de 2010, trabalha no Westfield Shopping e logo quando chegou notou a barreira feita pelos seguranças ao redor do local. “Por volta das 16h, a loja onde eu trabalho fechou as portas, mandou todos pra casa, por segurança mesmo, porque se algo acontecesse ali no shopping ou perto deles, ficaríamos trancados”, afirma.
Segundo o relato, a situação de conflito permanece caótica com ataques, focos de vandalismo e incêndios. Além disso, muitos londrinos estão se organizando via redes socais para limpar as ruas e recuperar pontos destruídos.De acordo com a professora e cuidadora de crianças Carolina Rosa, que mora na área de Notting Hill, próximo de Portobello Road, onde foi destuído por vândalos na segunda-feira,disse que ao tentar levar as crianças para o shopping a polícia impediu e solicitou que voltassem para a casa. “Muita coisa está fechada como se estivéssemos em dias de frio e muita neve, quando tudo para, o que não é o caso. Também a Oxford Circus Tube Station, em Central London, o maior comércio da cidade foi atacada e era fogo para todos os lados, vidros quebrados e pessoas roubando tudo." Carolina enviou uma foto mostrando o movimento policial e as interdições feitas em South Kensington (foto ao lado).
Entenda os ataques
Os primeiros confrontos ocorreram em Tottenham, no norte de Londres, durante uma manifestação que pedia "justiça" após a morte de Mark Duggan, em um tiroteio com a polícia na quinta-feira (4). No domingo (7), a violência se alastrou para outros bairros da capital britânica. Segundo a rede BBC, na cidade de Waltham Abbey, a leste de Londres, um centro de distribuição da Sony foi tomado pelas chamas, que atingiram vários metros de altura.
